Algumas mãezonas não sabem, mas moro na Inglaterra, e agora que estou aqui há quase um ano resolvi escrever sobre como é ser mãe em Londres, contar um pouco dessas experiências baseado no meu ponto de vista e o que vivi até agora com uma bebê de 1 ano (importante ressaltar que não tive minha filha aqui, só cheguei quando ela tinha 3 meses). Acho bacana fazer algumas comparações com o Brasil e mostrar que não existe lugar perfeito, sempre há pontos negativos e positivos. Claro que no Brasil a situação é mais complicada porque além ser um país muito corrupto, também é um bebê comparado à Europa.

Hoje vou falar sobre o sistema de saúde. Em Londres, ao meu ver,  o sistema de saúde é bem organizado. O processo de acompanhamento do crescimento e desenvolvimento das crianças é bem diferente do Brasil.

Primeiro que cada região (como se fossem bairros) tem um ou mais espaços que recebem as pessoas para verificação da saúde: chamam de GP’s e são públicos (aqui quase não existe sistema particular e caso você opte por ele é bem caro).

Nesses lugares estão médicos clínicos gerais, enfermeiras e ajudantes. Se precisa de um atendimento corriqueiro é lá que deve ir. Por exemplo: se seu filho pega um resfriado você agenda uma consulta (que normalmente é marcada na semana seguinte ou antes) e conversa com um GP  (general practice) ou enfermeira que examina  a criança e faz o que é necessário. Caso seja algo mais sério eles encaminham para um hospital com uma estrutura bem maior e com especialistas.

Se surgir uma emergência é preciso ir a \\um hospital que chamam de “walk-in centres”, onde o atendimento ocorre com urgência.

Em algumas regiões existem centros que recebem apenas bebês e crianças para fazer checagem de peso e acompanhamento básico. Nesses locais também realizam grupos de mães, atividades pros bebês, entre outras coisas específicas.

Quando cheguei fiquei bem receosa porque quem atende os bebês nessas consultas de rotina são enfermeiras e parteiras, não é que nem no Brasil que vemos um pediatra todos os meses. Nessas consultas basicamente checam o peso e conversam com a mãe para saber se está tudo bem com ela e com o bebê.

Nos meses chave elas fazem uma análise pra saber se tudo está correndo bem com seu filho, mas tudo com muita sutileza, pois sabem que cada criança tem seu tempo e, além disso, acredito que também não queiram deixar a mãe preocupada (pelo menos todas as enfermeiras/parteiras que encontrei foram super atenciosas e delicadas).

Um exemplo do que estou falando: aos 6 meses perguntam se é possível botar o bebê sentando na balança ao invés de deitado como de costume, mas sem falar diretamente:      -sua filha já senta?

Percebem a diferença?

Aos 10 meses do bebê (mais ou menos) as mães recebem uma carta em casa com uma consulta agendada e um questionário com figuras e textos explicativos para que possam preencher de acordo com o desenvolvimento do seu filho. O interessante disso é que você tem tempo para prestar atenção aos detalhes e perceber como seu bebê está crescendo e aprendendo coisas a cada dia.

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Uma página do questionário

 

Caso o bebê apresente algum atraso muito significativo aí então a mãe é abordada para procurar um médico. Com um tempo aprendi a respeitar essa conduta e ver muitos benefícios nela. Em primeiro lugar mães já são seres que se preocupam com suas crias naturalmente, estamos sempre com medo do bebê não ganhar peso, não estar crescendo e se desenvolvendo da maneira “normal”, então porque criar um ambiente que incentive esse medo?

No início questionei o porquê deles não medirem a altura da criança ou a cabeça, de não auscultarem os pulmões, olharem o ouvido… Depois ME questionei se aquilo tudo era realmente necessário ou se servia apenas pra me deixar mais apreensiva. Afinal, se a criança nasceu bem, está aparentado ter saúde, sem demonstrar nenhum desconforto, porque realizar esses procedimentos ?

Aqui também tem um livro de acompanhamento, o Red Book, nele estão todas as informações da criança e anotações que são feitas nestas consultas pelas próprias enfermeiras. Tem todos os detalhes, peso, crescimento, vacinas, desenvolvimento; bem parecido com o do Brasil.

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Uma página do questionário

 

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Uma página do questionário

 

Quando um bebê nasce você recebe a visita de uma Health Visitor (profissionais especializados na área de saúde que acompanham os primeiros anos do bebê e da família) em casa para saber se está tudo bem com o bebê e com a mãe, se o ambiente da casa está apropriado, se a família está precisando de alguma coisa. No meu caso ela veio quando Aurora já estava com uns 5 meses e como não tinha nenhum histórico dela (por não ter nascido aqui), ela pediu pra fazer um exame de sangue nela e checar tudo (detalhe: na época do exame, como eu estava sozinha durante o dia, mandaram uma pessoa pra colher o sangue na minha casa).

Conversei com algumas mães brasileiras que moram aqui e elas têm experiências positivas e negativas. Algumas falam que se a criança está com saúde é uma maravilha, que o acompanhamento é bem cuidadoso (conforme descrevi acima), mas se ela adoece é uma dor de cabeça, porque os GP’s só receitam paracetamol, e é uma dificuldade para encaminharem para um pediatra, isso só acontece caso o cenário esteja bem sério. Ou seja, se a criança precisa de antibiótico é difícil conseguir, a não ser que você corra para a consulta privada.

Uma mãe até citou que eles fazem isso pra dar tempo do “corpo se curar sozinho”. Acredito que essa conduta seja pra evitar o uso de remédios fortes em casos desnecessários ou impedir o fortalecimento de bactérias (como as super-bactérias que estão surgindo e são imunes aos antibióticos mais poderosos que existem), porém muitas vezes o antibiótico é necessário, né? Dá um medo danado de passar por uma situação dessas, ainda mais porque aqui o tempo frio é constante, isso facilita o aparecimento de resfriados e seus agregados.

Enfim, dá pra perceber que existem pontos bons e ruins como em qualquer outro lugar. Não adianta também comparar cenários com realidades tão distantes. Claro que o Brasil ainda tem muito que evoluir e nós mães precisamos estar atentas aos nossos direitos e reivindicar melhorias sempre.

Espero que tenham curtido! Quando sobrar um tempinho aqui escrevo sobre mais experiências que vivo por aqui como mãe.

 

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2 comentários em “Vida de mãe na Inglaterra- Sistema de saúde

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