Conforme combinado de postar um texto por semana com depoimentos de partos que ocorrem pelo mundo, hoje compartilho com vocês a história da Mariana Simonaci, que teve seu bebê (o lindo Tom) na Noruega!

Mariana é psicóloga, morou na Noruega por 3 anos e atualmente reside em Londres. Ela também tem um blog sobre maternidade, Mama Connection e está gravida novamente ❤ Espero que curtam o depoimento dela =)


Meu parto: o melhor encontro da minha vida

Tom's birth and first days
Mariana e Tom

Stavanger|Noruega

Era por volta das seis da manhã, do dia sete de outubro que comecei a sentir fortes dores na região da lombar. Como eu já estava com 40 semanas, mais 2 dias, eu imaginava que pudesse ser a tal da contração. Levantei da cama e fui tomar um banho com água quente, como minha parteira havia me recomendado. Ali, debaixo daquela água corrente, fui tentando sentir e ouvir meu corpo… fazer o máximo de contato com Tom.

Assim que o Edu acordou, eu o avisei para não ir trabalhar. Sabia que não era alarme falso e nosso filho estava chegando! Ficamos todos juntos. Eu, meu marido e minha sogra, que tinha ido me ajudar. As dores alternavam, ora mais leves, ora mais fortes.

Edu (que é a calma em pessoa) passou o dia com o lápis e papel na mão, anotando as contrações. Sabíamos que elas precisavam ficar mais ritmadas e intensas. Enquanto isso, minha sogra fazia comidinhas leves, orava, atualizava o povo no Brasil e falava: “Toda vez que a contração chegar, faz força pra baixo!” E assim eu fazia!

No meio desse tempo, ligamos para o hospital pra saber o que faríamos. Na Noruega funciona assim: quem faz o seu parto, não é o seu médico ou sua parteira que te acompanhou a gestação toda e sim o plantonista do dia. Então, quando estoura a bolsa ou você acha que entrou em trabalho de parto, você liga pro hospital e eles vão te dizendo o que fazer. No meu caso, como a minha bolsa não havia estourado, a recomendação era que eu permanecesse em casa até que as contrações ficassem mais intensas (insuportáveis).

Deu 18, 19, 20 horas da noite e nada das benditas contrações entrarem no ritmo, e olha que eu já tinha engatinhado pela casa toda (dizem que ajuda) e rebolado mais que a Gretchen em cima da bola suíça. Foi quando resolvemos ligar novamente para o hospital. As contrações já estavam muito fortes (eu achava) e queria muito saber se o Tom estava bem. Foi quando nos mandaram ir para o hospital…

Peguei a malinha dele, que já estava pronta desde os oito meses, a minha mala, e fui… Mal conseguia descer os quatro andares do meu prédio, de tanta dor! Chegando ao hospital, seguimos em direção ao andar indicado para quem escolhe não tomar nenhum tipo de anestesia ou que não vai passar por nenhum procedimento cirúrgico. Nesse andar também só ficam as parteiras, não tem médicos. Caso precise, a pessoa é levada pra outro andar. Ou seja, se você quer ter um parto tipo “índia”, é ali! E era ali que eu queria estar…

Logo eu e o Tom fomos ser avaliados. Graças a Deus ele estava ótimo. Mas quando a parteira fez o exame do toque em mim, ela me olhou com uma carinha de dó e disse: “Olha, infelizmente você tem zero de dilatação e vai precisar voltar pra casa”. O quê??? Como? Impossível! Eu estava morrendo de dor, há mais de 14 horas em trabalho de parto, sem condições de voltar! Só sei que no final das contas, ela me convenceu que era o melhor a ser feito e que eu ainda tinha um longo percurso pela frente e precisava descansar. Minha casa seria o melhor lugar.

Gente, a expressão: “colocar o rabo entre as pernas”, nunca me caiu tão bem! Eu crente, crente, que só sairia dali com meu bebê no colo… Voltei pra casa arrasada e cheia de dor!

Até que chegando a casa, consegui relaxar um pouco. Mas quando deu umas quatro da manhã, as dores voltaram com tudooooooooo! Eu só me lembro de puxar muito o cabelo do Edu e apertar muito a mão dele, toda vez que a contração vinha… do resto, o que eu contar daqui pra frente, eu somente acho que aconteceu. Porque sinceramente, eu saí dessa esfera….

Voltamos ao hospital às 8 da manhã e as dores haviam aumentado, mas o tal do ritmo que é bom, nada! Sinceramente, pra mim, eu ia chegar ali e iam me mandar voltar novamente. Mas para minha surpresa, quando fui fazer o exame do toque novamente, eu já estava com 8 de dilatação! A parteira (que era um anjo vestido de parteira) me olhou e disse: “Se prepara pro melhor encontro da sua vida! Seu filho está chegando!”

Ela me perguntou se realmente eu não iria querer a anestesia, pois depois de 8 cm de dilatação eu não poderia mais tomar. Eu disse que não queria e que iria tentar! Então, ela saiu pra preparar o quarto (eu havia pedido um quarto com banheira) e também um café da manhã, já que ela disse que eu precisaria estar com bastante energia na hora da expulsão…

E assim foi feito, entrei na banheira, o que aliviouuuu “super” as dores e fui tentando relaxar e me entregar pra viver aquele momento carregado de amor. Minha sogra entrou no quarto, me abençoou e meu marido permaneceu comigo o tempo todo. Todas as vezes que as dores ficavam muito fortes, a parteira me falava com a cabeça colada na minha: Quanto maior a dor, mais próximo seu filho está de você!

Tom's birth and first days
O quarto em que Mariana teve o Tom

Quando em um determinado momento, já estava com quase 9 de dilatação, o Tom completamente encaixado e já dando pra senti-lo, a parteira sugeriu estourar minha bolsa. Alegou que eu já estava muito tempo em trabalho de parto e estourando a bolsa aceleraria o processo. Eu, que já não raciocinava mais nesse momento, disse que sim! E assim foi feito. Ela estourou a bolsa, que pra mim foi algo totalmente indolor e pediu pra me avaliar novamente.

Foi aí que veio a maior das surpresas… Tom havia desencaixado! E eu, com 10 de dilatação! Eu DISSE 10?! Sem anestesia, sem nada, fui à loucura! Ainda mais quando ela disse que só poderia fazer alguma coisa depois de 2 horas, caso o Tom não saísse…

Foram as horas mais longas de toda a minha vida! Acho que aquela parteira norueguesa nunca foi tão apertada na vida dela. Fiquei assim por mais uma hora, mais ou menos… Eu orei tanto, e conversei tanto com o Tom… Mesmo com muita dor eu tentava me conectar com meu corpo e de alguma forma pedir que ele me ajudasse naquele processo, pois eu ia fazer tudo que eu pudesse! Foi quando o Tom resolveu encaixar… Foram 45 minutos de expulsão, com várias pessoas me ajudando. Até uma amiga médica (Andréia), na hora entrou pra me dar a mão e me ajudar!

Confesso que eu não tinha mais forças e meu marido foi fundamental em todo o processo. Ele dizia o tempo todo: “Você vai conseguir!” E nós conseguimos! Tom nasceu às 13h13min do dia 8 de Outubro de 2014, com 3,370 Kg e 54 cm. Toda dor naquele momento foi cessada e eu fui inundada pelo maior amor do mundo!

Mariana Simoci

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