Hoje o depoimento para o #partospelomundo é da Claudete Pontes que teve seu baby em Viena na Áustria. Acredito que em alguns momentos a equipe possa ter se exaltado, como a parte de fazer pressão na barriga pro bebê sair rápido, hoje em dia isso é considerado violência obstétrica. Acredito que fazer lavagem também não seja mais um procedimento rotineiro em partos. Porém, vale o relato para que possamos perceber que isso acontece no mundo todo!  Confiram que história bacana recheada de verdade e detalhes que muitos não conhecem sobre a realidade de estar grávida e parir =)

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“Quando descobri a gravidez, tinha a ideia da cesárea eletiva na cabeça. Uma amiga indicou o hospital que ela havia parido, mas o médico de família (sim, aqui temos o clínico geral da família, quando vamos nos inscrever no “SUS” austríaco, eles pedem o nome do clínico geral de confiança), falou para procurarmos um outro hospital/ maternidade , pois ele já sabia como funcionava lá.

Então fomos nós fazer a inscrição (tem que se inscrever com meses de antecedência). Lá chegando para a entrevista, a enfermeira fez um monte de perguntas, entre elas, o tipo de parto. O meu marido respondeu que seria normal, fiquei em choque, mas não disse nada. Observei que ela colocou uma observação (se caso fosse necessário, poderia ser cesárea).

Após a entrevista conhecemos as salas de parto: Tinha para todas as opções, inclusive a banheira, mas optei por ser na deitada mesmo. Ela falou também que a partir da 34ª semana, o hospital oferecia acupuntura uma vez por semana para facilitar o parto.

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Uma das salas de parto do hospital

Na  33ª fui ” agraciada” com hemorróidas. Desespero total! Não podia nem andar que elas incomodavam, e quando ia às consultas ninguém falava de cesárea, sempre diziam que eu poderia ter o parto normal sem problemas, e me vi acreditando nisso, mesmo com todas as dificuldades causadas pelas hemorróidas.

No mesmo hospital, também ofereceram um curso de parto. Este teve de ser pago.
Então, na 39ª semana de gravidez, às 5:15 da manhã  senti uma contração diferente das que já tinha sentindo. Fui ao banheiro, fiz xixi normal, mas de repente , de novo a contração. Quando deu 6:15 da manhã chamei o maridão, ele veio descrente, eu já fazia uma novela mexicana por causa dos chutes. Quando eu tornei a me contorcer de dor, ele começou a acreditar, ligou para o hospital e a ambulância chegou em menos de 10 minutos. Quando cheguei lá, a Hebamme (parteira), já tinha passado a noite de plantão. Pensei que ela fosse embora, mas não, foi me examinar: 3 cm de dilatação. Pensei que me mandariam de volta para casa, contudo, uma vez me enganei.

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Monitorando o bebê

Fiquei lá, no aparelho que mede as batidas do coração. Meia hora depois ela veio com a        “lavagem”, sim ela usou a lavagem em mim! Foi horrível por causa das hemorroidas. Em menos de um minuto corri para o vaso e despejei tudo o que tinha comido. Achei que fosse morrer. Já estava sem forças de tanto fazer côco e as contrações não paravam. Depois de 20 minutos no vaso ela mandou eu tomar um banho. O meu marido sempre junto.

Depois do banho fui para o quarto, ela colocou um soro em mim e os aparelhos para medir pressão e coração, meu e do meu filho. Quando saí do banho estava com 5 cm de dilatação. Toda hora ela vinha controlar os aparelhos. As contrações estavam mais fortes e em menos tempo de intervalo, então meu marido pediu a epidural. Só vi o médico vindo com a injeção, ele fica na antessala só para emergências e só ele pode realizar esse procedimento. Na minha opinião a epidural dói mais do que o parto em si.

Quando a parteira veio de novo controlar a dilatação já estava em 7.  Estava na cama e fazendo um frio em mim em pleno verão . Quando deu 14 horas e ela mediu de novo, já tinha chegado em 10 cm!! Então disse : “ele vai nascer agora!”

Foi pegar umas toalhas, chamar a ajudante e uma enfermeira. O meu marido ficou me ajudando a respirar certo e por trás e eu fiquei na posição mais sentada do que deitada. Na primeira tentativa não consegui, entretanto, na segunda, ele saiu como um espirro. Veio todo (esperava que saísse primeiro a cabeça e depois o resto), mas não, a parteira apertou a minha  barriga com tanta força que meu filho saiu de uma vez só. Uma dor enorme! Ainda mais com a hemorróida.

O meu marido ficou em estado de choque e eu também , pois o menino não chorou como eu esperava; não teve reação. Levaram o David para fazer a aspiração (porque disseram que ele havia bebido o líquido amniótico), a pesagem, entre outras obrigações.

Depois que me recuperei da dor e perguntei pelo bebê é que o meu marido reagiu, foi atrás do menino para cortar o cordão umbilical. Tudo isso aconteceu em cerca de 20 minutos.

Quando olhei para a porta vi meu marido que vinha com o nosso bebê nos braços, e me entregou para mamar. Foi um dos momentos mais lindos da minha vida.  Ficamos no hospital por 4 dias, depois que ele já mamava, fazia as necessidades fisiológicas e todas as primeiras vacinas tinham sido dadas fomos para casa.

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Este parto ocorreu no Hospital Público de Viena , atendimento de primeira. Essa foi a minha experiência.”

 

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