Estava no banho enquanto Aurora esmurrava a porta gritando e chorando:

-mamãe, mamãeee!

Tomei um susto porque não é comum ela fazer isso (apesar de acontecer de vez em quando kkk), e porque ela me chamava com muita convicção, como se quisesse me contar algo muito importante.

Terminei meu banho rápido e fui ao encontro dela para saber o que tinha acontecido. Quando ela me viu, veio correndo com os braços abertos e expressão de tristeza (digna de uma atriz experiente kkk) e então eu perguntei:

– o que aconteceu minha vidinha?

– mamãe, machuquei meu dedo e fiquei triste por causa disso e porque  o papai não deixou te contar (ele não deixou ela invadir meu banho kkk).

Eu fiquei tão feliz e orgulhosa quando ela me disse tudo isso! Primeiro porque ela conseguiu dizer perfeitamente o que tinha acontecido, como estava se sentido, inclusive falou que o pai a impediu! Me deu um alívio saber que ela já entende que pode contar comigo seja para o que for, sabe que estarei lá pra ouvir com toda atenção, independente do que seja, pode ser um machucadinho no dedo, como uma agressão séria vinda de terceiros.

Para nós, machucar o dedo e fazer um escândalo pode ser exagero, mas, na realidade, as crianças estão aprendendo a se comunicar e não têm discernimento para entender o que é sério ou não, por isso é vital que estejamos sempre interessados em saber o que eles querem nos dizer.

Incentivar que eles se expressem, identificar sentimentos, falar das emoções, tudo esse conjunto é valoroso.

Quando Aurora se machuca sempre vem me contar e eu a ouço com cuidado, peço para  me explicar o que aconteceu em detalhes, faço perguntas sobre, questiono onde machucou e faço carinho, dou beijo.

Além disso ser um exemplo de empatia e afeto, é também uma demostração de que eu me preocupo com o que ela está passando e, com isso, criamos um laço de confiança, ela sabe que pode vir me procurar e eu sei que ela virá me contar.

Nunca desmereço seu sofrimento, dor e angústia dizendo: “não foi nada”, “deixa pra lá”, “esquece isso e vai brincar”, justamente porque preciso que ela entenda que tudo o que acontece no seu dia a dia é importante pra mim, mesmo que falem que aquilo não é nada demais, que é segredo, ou qualquer coisa do tipo, quero que ela se sinta segura de vir me falar.

Não se trata de “mimar” e sim de se importar, de se precaver com algo pior que possa vir a acontecer.

Quando ela terminou de me descrever como machucou o dedo (esbarrando no papai enquanto brincavam), eu disse como estava feliz por ter vindo me falar logo, que aquilo significava muito pra mim e que poderia sempre contar comigo. Também expliquei que o papai não fez por mal tentado a impedir de entrar no meu banho kkkk

O mais bacana: achei demais quando meu marido tentou a consolar na porta, explicando que eu já estava saindo e perguntando porque ela estava tão nervosa. Ele também sabe ouví-la e queria primeiramente ajudá-la. A reação de muitos é gritar, mandar sair, calar a boca. Parece que estamos no caminho certo ❤

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