Tenho dificuldades para explicar às pessoas que não é bacana ficar rotulando os filhos dos outros de acordo com conclusões precipitadas vindas de visitas, encontros esporádicos e momentos/períodos caóticos.

Terceiros adoram apelidar: esse é arteiro, bagunceiro, tímido, inibido, comilão, mimado.

Quando dizem que minha filha é “levada” porque ela está com sono, cansada e se comporta mal, me tira do sério.

Primeiro porque aquele comportamento não representa quem minha filha é de fato e sim como ela está agindo em um momento de irritação, e por ser uma criança de 3 anos que ainda não sabe controlar emoções.

Esse julgamento descabido e injusto acontece em muitos outros momentos: Quando ficam repetindo que ela come mal porque a comparam com uma outra criança que come uma quantidade maior.

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Quando ela se manifesta com uma opinião e dizem que é mimada, que vai dar trabalho.

Outro dia fomos ao shopping comprar um sapato pra ela, mas estava dormindo. Para adiantar a compra escolhemos por ela. Assim que acordou e viu o sapato disse que não gostou. Chegamos na loja pra trocar e as vendedoras ficaram surpresas, estranharam:
-como pode ela já saber o que quer, né?

Criança não pode ter autonomia, não pode escolher, criança tem que obedecer sempre. Adultos sabem de tudo, são perfeitos e não erram nunca.

É triste, mas Criança normalmente não tem liberdade para desenvolver sua personalidade, suas preferencias.

Muitas vezes também são mal interpretadas. Neste mesmo dia da loja minha filha já não queria mais ficar escolhendo sapato (demorei um pouco pra achar algo interessante e no mesmo valor), e ficou pedindo pra ir embora, disse que queria brinquedo.

Por um lado é compreensível que uma criança de 3 anos prefira brinquedo à sapato. Mas eu disse a ela: filha, não tem brinquedo hj!

Ela respondia novamente que queria brinquedo!

A vendedora já olhou com olhar julgador e repetiu que daria trabalho. Me questionou se não daria um irmão pra ela. Que seria bom, aprenderia a dividir. Dando a entender que ela era mimada.

Eu me abaixei pra falar com ela e entendi que queria ir na sala de brinquedos pra brincar com outras crianças (antes de entrar na loja de sapatos passamos por uma e eu havia prometido retornar)… vejam só…

A realidade é que a expectativa dos adultos sobre as crianças é enorme. Muitos adultos esperam que as crianças sejam robozinhos, sejam espelhos dos pais, repitam
Gostos, padrões do que é considerado “ser criança” , caso contrário são mal educadas.

Obviamente precisamos ter bom senso, todas as crianças precisam de limites, e quando elas se comportam mal eu acho que devemos sinalizar que aquilo não é certo, temos que explicar porque aquilo não é legal e tentar achar uma solução para que possam acalmar os ânimos.

Muitas vezes não vai adiantar, vai demorar até que a criança entenda e dependendo da idade ela não terá tal discernimento.

Dependendo do local e necessidade as pessoas precisam ter paciência, não é fácil educar, e para os pais que estão vivenciando aquilo o tempo todo é exaustivo também. Um pouco de compaixão não faz mal.

Não cheguem rotulando crianças, elas acabam acreditando que aquilo é uma verdade e passam a agir como a descrevem, como o então, esperado.

Crianças são esponjas, reproduzem muitas ações e afirmações.

Passem mensagens positivas, destaquem o que é bom porque a criança usará isso como mapa em seu desenvolvimento. O que mais vc disser a ela e o que mais ela ouvir será o que mais a influenciará.

Não rotulem, não julguem, não menosprezem, não minimizem.

Texto por Thais Braga
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